Reforma Tributária: o que sua empresa precisa saber agora

A Reforma Tributária entrou em uma fase decisiva. Com a Emenda Constitucional 132, promulgada em dezembro de 2023, e a Lei Complementar nº 214, publicada em 16 de janeiro de 2025, o novo modelo de tributação sobre o consumo entra na fase de regulamentação e transição, com etapas já definidas.

O tema envolve mudança estrutural. Afeta cálculo de tributos, contratos de longo prazo, organização interna, precificação e planejamento estratégico. 

Para muitas empresas, a dúvida é objetiva: o que muda, em que momento e como se preparar com segurança.

A regulamentação avança gradualmente. Quanto antes a empresa compreender o cenário e organizar seus processos, maior será a previsibilidade nas decisões financeiras e operacionais.

💡 Leitura complementar: Para aprofundar como organizar adaptações dentro da estratégia financeira da empresa, vale conferir o artigo “Planejamento tributário e seu papel fundamental na gestão financeira empresarial”, que explora como decisões tributárias impactam diretamente caixa, margem e sustentabilidade do negócio.

O que a Reforma Tributária altera no sistema atual

A Reforma Tributária substitui seis tributos incidentes sobre o consumo:

  • PIS
  • Cofins
  • IOF-Seguros
  • IPI
  • ICMS
  • ISS

Em seu lugar, passa a vigorar um IVA Dual, composto por:

  • CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal.
  • IBS – Imposto sobre Bens e Serviços, de competência estadual e municipal.
  • Imposto Seletivo – com caráter extrafiscal.

A CBS substituirá PIS, Cofins e IOF-Seguros. O IPI terá suas alíquotas reduzidas a zero para a maioria dos produtos, permanecendo apenas nos casos previstos na regulamentação.

O IBS reunirá a tributação sobre bens e serviços no âmbito estadual e municipal.

O Imposto Seletivo terá finalidade regulatória, incidindo sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

A substituição envolve nova estrutura normativa, com regras detalhadas em leis complementares e nos projetos de regulamentação do IBS, CBS e Imposto Seletivo.

💡 Leitura complementar: Para compreender melhor como funcionam as contribuições dentro do sistema tributário brasileiro e como elas se relacionam com a nova estrutura, vale a leitura de “Contribuições tributárias no Brasil: Entendendo os conceitos fundamentais”.

Estrutura normativa já apresentada na regulamentação

O PLP 68/24 estrutura a Lei Geral do IBS, da CBS e do Imposto Seletivo. 

O texto aprovado na Câmara possui mais de 500 artigos e promove ampla revogação de normas federais, estaduais e municipais relacionadas ao sistema atual.

A regulamentação também avança por meio do PLP 108/24, que trata da administração e gestão do IBS.

A construção dos projetos envolveu União, Estados, Distrito Federal e Municípios, com participação técnica ampla e trabalho em conjunto. 

💡 Leitura complementar: A transição também pode revelar valores pagos indevidamente ao longo do tempo. Para entender como revisar e recuperar créditos com segurança jurídica, leia “Recuperação de tributos: Como evitar prejuízos fiscais?”.

Reforma Tributária: o que muda na prática para as empresas

A Reforma Tributária altera quatro pilares operacionais:

  1. Incidência
  2. Apuração
  3. Créditos
  4. Recolhimento

A seguir, os principais impactos.

Tributação no destino

O IBS passa a pertencer ao Estado e Município de destino da operação. Empresas com atuação interestadual devem avaliar:

  • Estratégia de precificação.
  • Fluxo de créditos.
  • Planejamento de caixa.
  • Estrutura contratual.

O modelo reforça a lógica de tributação no destino e a repartição subnacional do IBS. 

Isso pode exigir revisão de rotinas e planejamento em operações interestaduais.

Não cumulatividade ampla

O modelo prevê que o contribuinte enquadrado no regime regular poderá apropriar créditos quando ocorrer o pagamento do IBS e da CBS relativo às suas aquisições.

Na prática, isso influencia o fluxo de créditos, compensação automática e possíveis pedidos de ressarcimento.

Empresas com créditos acumulados relevantes devem iniciar mapeamento técnico desde já.

💡 Leitura complementar: Empresas que revisam sua estrutura tributária também podem identificar oportunidades legais de eficiência. O artigo “Dedução de perdas fiscais: Como reduzir sua carga tributária de forma legal e eficiente” apresenta caminhos técnicos para análise de créditos e compensações dentro da legalidade.

Split payment e novas formas de recolhimento

A regulamentação prevê diferentes hipóteses de recolhimento, entre elas a possibilidade de recolhimento na liquidação financeira por meio de split payment.

Esse ponto exige atenção tecnológica. Sistemas de ERP, faturamento e integração fiscal devem ser avaliados à luz das hipóteses de recolhimento e da operacionalização prevista.

Impactos na operação, precificação e contratos

A mudança não se limita ao setor fiscal. Ela impacta diferentes áreas da empresa.

Formação de preço e margem

Durante a transição, haverá aumento gradual do IBS e redução progressiva do ICMS e do ISS até 2033.

Empresas devem considerar:

  • Simular carga tributária ao longo da transição.
  • Avaliar impacto em margem.
  • Revisar política comercial.
  • Recalibrar contratos de fornecimento.

A curva de transição prevista até 2033 reforça a importância de simular cenários e revisar premissas de precificação e contratos.

Reequilíbrio de contratos de longo prazo

A regulamentação prevê regras relacionadas ao reequilíbrio de contratos de longo prazo durante o período de transição, observadas as condições previstas na legislação.

Em contratos públicos ou privados de longa duração, será necessário:

  1. Mapear cláusulas de reajuste.
  2. Projetar impacto tributário.
  3. Avaliar pedidos de reequilíbrio quando houver alteração relevante de carga.

Antecipação evita conflito futuro.

💡 Leitura complementar: Em períodos de mudança, erros operacionais podem ser interpretados como irregularidades. Para evitar práticas que geram autuação, confira “5 práticas que podem ser interpretadas como fraudes fiscais (e como evitá-las)”.

Reforma Tributária e a transição do ICMS

Notas de Real e calculadora sobre a mesa ilustram a transição para o novo modelo de Reforma Tributária no Brasil.

A legislação trata da transição do ICMS e do tratamento de saldos credores, com regras e condições específicas que devem ser acompanhadas pela empresa.

Empresas com créditos acumulados devem iniciar a organização documental e contábil com antecedência e acompanhar os prazos e condições estabelecidos na legislação para evitar perda de direitos.

💡 Leitura complementar: A transição do ICMS envolve regras específicas, prazos e condições que exigem acompanhamento constante da evolução normativa. Para entender como mudanças legislativas impactam diretamente a operação e como estruturar esse monitoramento de forma estratégica, vale a leitura de “Análise de impactos legislativos: O que é e por que sua empresa precisa olhar para isso agora”, que aprofunda como antecipar riscos regulatórios antes que eles se convertam em prejuízo financeiro.

Reforma Tributária e regimes diferenciados

O novo modelo prevê regimes diferenciados e reduções de alíquota para determinados setores, como:

  • Educação
  • Saúde
  • Dispositivos médicos
  • Insumos agropecuários
  • Serviços regulamentados

Há também regimes específicos para combustíveis, serviços financeiros, planos de saúde, setor imobiliário, bares e restaurantes, entre outros.

Cada setor precisará avaliar:

  • Se o novo enquadramento mantém competitividade.
  • Se haverá alteração de carga efetiva.
  • Se a estrutura contratual atual continua adequada.

A análise setorial ganha relevância para identificar enquadramentos, impactos e ajustes necessários durante a transição.

💡 Leitura complementar: A reorganização tributária passa por diagnóstico. O conteúdo “Estratégias de otimização tributária: A importância de uma auditoria fiscal para sua empresa” aprofunda como a auditoria se torna ferramenta estratégica em momentos de transição normativa.

Por que esperar pode gerar custo e risco

A Reforma Tributária está em fase de implementação gradual, com cronograma de transição até 2033. 

Mesmo com esse período escalonado, a adaptação envolve revisão estrutural de rotinas fiscais, contratuais e operacionais. 

Deixar essa análise para o momento da obrigatoriedade plena pode concentrar ajustes complexos em um curto espaço de tempo.

Os principais riscos de inércia incluem:

Precificação desalinhada

Durante a transição, haverá coexistência entre o modelo atual e o novo sistema, com aumento progressivo do IBS e redução gradual de ICMS e ISS.

Empresas que não simularem cenários podem enfrentar:

  • Dificuldade em projetar carga tributária futura.
  • Formação de preço baseada apenas no regime atual.
  • Margens pressionadas quando a composição tributária se alterar.

A precificação não depende apenas da alíquota final, mas do momento em que cada fase da transição impacta o fluxo de caixa e a estrutura de custos.

Contratos sem cláusulas adequadas

Contratos de médio e longo prazo podem atravessar diferentes fases da transição.

Sem previsão de mecanismos de ajuste relacionados à alteração de regime tributário, a empresa pode enfrentar:

  • Divergência na interpretação de responsabilidade tributária.
  • Dificuldade para revisar valores contratados.
  • Necessidade de renegociação em ambiente menos favorável.

Revisar contratos não significa alterar condições imediatamente. Significa mapear exposições e prever cláusulas que dialoguem com a nova estrutura tributária.

💡 Leitura complementar: A adaptação contratual diante da Reforma Tributária exige atenção técnica e visão estratégica. Para entender como estruturar contratos com mais segurança, prever mecanismos de reajuste e reduzir exposição a conflitos futuros, vale a leitura de “Contratos comerciais: o que são, como funcionam e quais cuidados sua empresa deve ter”, que aprofunda os elementos essenciais para proteger a empresa em cenários de mudança regulatória.

Sistemas incompatíveis com a nova apuração

A regulamentação prevê novos procedimentos de operacionalização, como identificação única no cadastro, documento fiscal eletrônico específico, apuração periódica e desenvolvimento de sistema de cobrança.

A adaptação tecnológica tende a exigir planejamento, testes e ajustes progressivos.

Perda de créditos

A transição envolve tratamento específico de créditos acumulados e regras próprias de apropriação no novo modelo.

Sem organização prévia da documentação e controle interno, a empresa pode enfrentar:

  • Dificuldade na comprovação de créditos.
  • Erros na compensação.
  • Atrasos na recuperação de valores.

A governança de créditos passa a exigir acompanhamento técnico constante, especialmente para empresas com volume expressivo de operações tributadas.

💡 Leitura complementar: O controle de créditos e a análise da regularidade fiscal ganham ainda mais importância na transição. Para compreender como as auditorias podem proteger margens e evitar inconsistências, confira “Auditoria fiscal e tributária: O que as empresas de varejo precisam saber?” e também “Auditorias fiscais e tributárias: Impacto nas empresas”, que detalham os efeitos práticos dessa revisão preventiva.

Inconsistências e retrabalho na adaptação

Mudanças estruturais impactam diversas áreas simultaneamente. Quando cada setor realiza ajustes isoladamente, sem coordenação, podem surgir:

  • Divergências entre fiscal, financeiro e comercial.
  • Informações desencontradas na formação de preço.
  • Ajustes sucessivos em contratos e sistemas.
  • Reprocessamento de dados contábeis.

Organizar a adaptação de forma planejada reduz retrabalho e permite que a empresa acompanhe o cronograma de transição com maior previsibilidade.

💡 Leitura complementar: A implementação estruturada depende de governança. O artigo “Compliance fiscal: Como implementar um sistema eficaz de monitoramento tributário em sua empresa?” mostra como organizar processos internos para acompanhar mudanças legislativas com mais controle e previsibilidade.

Reforma Tributária e o papel do jurídico e do tributário

A adaptação exige atuação coordenada entre:

  • Jurídico
  • Tributário
  • Financeiro
  • Comercial
  • Tecnologia

Passo a passo recomendado

  1. Mapear impacto por setor e tipo de operação.
  2. Simular carga tributária durante a transição.
  3. Revisar contratos estratégicos.
  4. Adequar sistemas e processos internos.
  5. Estruturar governança de créditos.
  6. Capacitar equipes.

A Reforma Tributária deixa de ser pauta política e passa a ser pauta de gestão.

💡 Leitura complementar: A organização adequada de créditos acumulados pode impactar diretamente o caixa. O artigo “Gestão de perdas tributárias: O que é, como funciona e por que sua empresa deve aplicar” ajuda a estruturar esse controle com visão estratégica.

Reforma Tributária e planejamento tributário estratégico

O novo modelo altera a dinâmica federativa atual e substitui tributos que hoje possuem legislações estaduais e municipais distintas.

O foco do planejamento passa a envolver:

  • Eficiência operacional.
  • Estrutura da cadeia de valor.
  • Gestão de caixa.
  • Conformidade.
  • Segurança jurídica.

Planejamento tributário deixa de se concentrar apenas na redução de carga e passa a priorizar previsibilidade e adaptação regulatória.

💡 Leitura complementar: A Reforma Tributária exige revisão técnica contínua. Se sua empresa ainda avalia se precisa de apoio especializado, vale entender os sinais que indicam esse momento. O artigo “Quando contratar uma assessoria tributária? Sinais de que sua empresa precisa desse suporte” ajuda a identificar quando a análise interna já não é suficiente para lidar com mudanças estruturais.

O que sua empresa deve fazer agora

A legislação estabelece cronograma de transição gradual até 2033, com etapas já definidas na regulamentação.

Perguntas estratégicas que merecem resposta imediata:

  • A empresa já simulou cenários até 2033?
  • Os contratos preveem ajuste tributário?
  • O ERP está preparado para IBS e CBS?
  • Há controle formal dos créditos acumulados?
  • A diretoria conhece o impacto financeiro projetado?

Se alguma dessas respostas ainda não está clara, este é o momento de agir.

Empresas que estruturam a adaptação com método tendem a atravessar a transição com estabilidade. 

A antecipação permite melhor organização interna diante do cronograma de transição previsto na legislação.

Antecipação é gestão responsável.

💡 Leitura complementar: Mudanças legislativas exigem monitoramento constante. O conteúdo “Legislação tributária: Os riscos de ignorar as mudanças fiscais no mercado imobiliário” demonstra como as alterações normativas podem gerar impactos significativos quando não acompanhadas de perto.

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